quinta-feira, 30 de abril de 2009


Onde as personagens infantis fumavam narguilê sentadas sobre cogumelos.

*
A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio. Finalmente, a Lagarta tirou o narguilé da boca e perguntou, em voz lânguida e sonolenta:

– Quem é você?

Não era um começo de conversa muito animador.
Um pouco tímida, Alice respondeu Eu.. eu… nem eu mesmo sei, senhora, nesse momento… eu… enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.

– Que é que você quer dizer com isso? – perguntou a Lagarta rispidamente. – Explique-se!

– Acho que eu mesma não posso explicar – disse Alice – porque eu não sou eu, está vendo?

– Não, não estou.

– Acho que não posso explicar melhor – replicou Alice com polidez – porque eu mesma não consigo entender, pra começar. E depois, ter tantos tamanhos diferentes num dia só é muito confuso.

– Não, não é.

– Bom, não sei. Talvez a senhora ainda não tenha passado por isso – continuou Alice – mas quando tiver de se transformar numa crisálida… pois isso lhe acontecerá algum dia, não é?… e, depois disso, numa borboleta, tenho a impressão de que achará meio esquisito, não?

– Nem um pouco.

– Bom, quem sabe a sua maneira de sentir talvez seja diferente
– disse Alice – mas o que sei é que tudo isso pareceria muito esquisito para mim.

– Você! – exclamou desdenhosamente a Lagarta. – E quem é você?

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Clarice Lispector

domingo, 1 de fevereiro de 2009

É necessário abrir os olhos e perceber
que as coisas boas estão dentro de nós,
onde os sentimentos não precisam
de motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento
e aprender sua duração,
pois a vida está nos olhos de quem sabe ver"


Gabriel Garcia Marques

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. -
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito?Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado?
Sem dúvida...
Tenho um presente?
Sem dúvida...
Terei um futuro?
Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

[Alvaro de Campos]

terça-feira, 30 de dezembro de 2008


"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..."

Mário Quintana

E está chegando 2009...tim-tim

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008


Não te deixes destruir... Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede. Cora Coralina