quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Tem dias que vem um sentimento não se sabe de onde...Tem dias que vem uma força interior capaz de dar todo sentido que faltava...todas as explicações nunca alcançadas...todas as palavras não ditas...Tem dias assim, dias de mulher...um dia tão nosso...Dias em que acordamos e não importa se tudo está fora do lugar, o sorriso no rosto não nos abandona...a alegria interna fica aqui aquecendo o coração e os amigos...ah os amigos vão se chegando e se aquecendo também!!!

...E hoje o dia é meuuuuuuuuu...e quem quiser pode se achegar!!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Inominável…


Leve… - Pluma… Surdina… Aroma… Graça…
Qualquer coisa infinita… Amor… Pureza…
Cabelo em sombra, olhar ausente, passa
como a bruma que vai na aragem presa…

Silenciosa. Imprecisa. Etérea taça
em que adormece luar… Delicadeza…
Não se diz… Não se exprime… Não se traça…
Fluido… Poesia… Névoa… Flor… Beleza…

Passa… - É um morrer de lírios… Olhos quase
fechados… Noite… Sono… O gesto é gaze
a estender-se, a alargar-se… - E enquanto vão

fugindo aos passos teus, Visão perdida,
chovem rosas e estrelas pela vida…
Silêncio! Divindade! Iniciação!

Cecília Meireles

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Porque eu to muiiitoooo bossa nova...ai...ai

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Pousar...

Tom Jobim

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Prosper Mérimée...


Na minha adolescência um dos escritores que mais li e que me impressionou por suas histórias fantásticas foi o escritor francês Prosper Mérimée. O curioso foi que essa semana tentei pesquisar sobre sua vida e tive uma grande surpresa com a falta de informações na net, tudo que se fala é sobre uma de suas obras mais famosas: Carmen, que chegou inclusive a ser transformada em ópera por Bizet ...Acho que o nome desse autor vai sempre estar intimamente ligado ao de sua criação...



MÉRIMÉE PRECISO PORÉM ESCUSO



Alexandre Piccolo

Prosper Mérimée é um discreto narrador, como discreta foi sua vida. Uma vida feliz e rica em êxitos, regrada de cultura, compôs um homem delicado, observador, espirituoso, sociável, porém de uma desconfiança inata, de um sobreaviso constante. Sua profissão de inspetor de Monumentos Históricos proporcionou-lhe conhecimentos históricos, geográficos e lingüísticos diversos, dentre inúmeras outras experiências sem igual.

Sua excêntrica desconfiança talvez seja o ponto mais peculiar em sua personalidade, bem como em suas narrativas. Além de preciso e econômico com as palavras, Mérimée mantinha-se distante do objeto de sua narração, e mesmo participando como narrador e personagem, era um personagem ausente, distinto, que não se envolvia com o acontecimento narrado. Taine descreve bem sua posição receosa: "sua desconfiança fazia-o ficar de sobreaviso contra a emoção, o arrebatamento e o entusiasmo, nunca se entregar totalmente, reservar sempre parte de si mesmo, não se deixar lograr por outrem nem por si próprio, agir e escrever como na terna presença de um espectador indiferente e escarninho, ser ele mesmo esse espectador. Eis o traço que se lhe gravou no caráter cada vez com mais força para deixar um sinal em todas as partes da sua vida, da sua obra e do seu talento." [1]

Este narrador desconfiado está sem dúvida presente em "Venus de Ille", na qual os acontecimentos, por mais fantásticos e sobrenaturais que possam ser ou parecer, não afetam a decisão e opinião intocável do narrador. Sua posição superior parece impor-se diante dos fatos narrados, como se olhasse para tudo e para todos de uma visão distante, afastada e imparcial. A própria não elucidação do conto parece reforçar esta desconfiança, deixando intacta a resolução da história - segundo decisão do próprio leitor. "O fim da história deixa-nos suspenso, pela falta não de um desfecho, mas de uma solução... Ou melhor, o autor oferece-nos duas explicações igualmente válidas. Tudo pode ser explicado na história, por uma coincidência de fatos vulgares, e, se o leitor for um espírito positivo, poderá ficar satisfeito; mas precisamente a vulgaridade dos fatos cuja convergência bastaria para a explicação inclina-nos a desejar e sugere-nos uma interpretação maravilhosa, da qual ele é o instigador se ser o responsável." [2]

O narrador é investigativo e cauteloso, sem jamais proferir uma palavra sequer a respeito da elucidadação do mistério sem uma única prova conclusiva. Chega a ser esquivo já que não há evidências concretas para uma explicação satisfatória. O trecho em que procura por possíveis pistas deixadas na noite anterior é ilustrativo: "Debalde percorria a casa, procurando por toda parte traços de arrombamento. Desci ao jardim para verificar se os assassinos teriam tido possibiliadades de introduzir-se por aquiele lado; mas não encontrei o mínimo indício positivo. A chuva da véspera de tal modo ensopara o solo, que nele não havia rastos bastante nítidos. Entretanto, viam-se algumas pegadas profundamente impressas na terra; seguiam duas direções opostas, mas no mesmo rumo, pois partiam da cerca contígua ao campo de péla, e desembocavam na porta da casa e vice-versa. Podiam ser os passos do Sr. Alphonse quando fora buscar o anel no dedo da estátua. Além disso a cerca era menos espessa nesse lugar do que em qualquer outro ponto. Passando e repassando diante da estátua, detive-me um momento para examiná-la. Forçoso é confessar que não pude contemplar-lhe a expressão perversa do rosto sem um sentimento de terror; e, com a cabeça ainda repleta de cenas impressionantes, que acabara de testemunhar, não é de estranhar que me assaltasse a impressão de que aquela infernal divindade festejava a desgraça desferida sobre a casa." [3]

Mérimée é um narrador que conta exatamente o que vê, sem mais ou menos palavras do que o absolutamente necessário. Ele não é elucidativo quando não encontra as provas para tal, mantendo intacta sua posição, preservando-se de qualquer erro ou confusão. Percebe-se em seu relato uma sutil desconfiança diante dos acontecimentos "sobrenaturais" porém ele não se deixa levar por qualquer explicação - seu voto permanece, como se desviasse de qualquer hipótese. "Mérimée não crê que Deus existe, mas não está muito seguro que o Diabo não existe." [4]

Valery Larbaud, lembrado por Paulo Rónai, faz um belo comentário a respeito do escritor e de sua obra: "Mérimée não age de imediato sobre o espírito do leitor. O efeito só começa depois de acabada a leitura. Secamente, quase que pobremente, ele desenhou as atitudes de suas personagens, contando muito depressa o que fizeram; e, depois, escamoteou-as, matou-as na maioria dos casos, suprimiu-as, como bonecos atirados ao fogo após uma breve representação, ou como figuras dos baralhos dos clubes que são renovados de cada partida. Mas é então que elas começam a viver. Nossa imaginação põe-se a reconstruir a novela, momento por momento, ação por ação, a tal ponto que acontece colaborarmos com o autor, inventarmos aqui ou ali um pormenor. Mas, relendo-o (e Mérimée é para ser relido), vemos que esse detalhe estava indicado, incluído num membro de frase, numa palavra, e que nos fora sugerida à nossa revelia." [5]



Referências Bibliográficas

[1] Rónai, Paulo, Mérimée Contista, Carmen e outros contos, editora Ediouro, págs. 10 e 11

[2] Idem, ibidem, pág. 14

[3] Mérimée, Prosper, A Vênus de Ille, Carmen e outros contos, editora Ediouro, págs. 152 e 153 - grifos meus.

[4] Rónai, Paulo, Mérimée Contista, palavras de Saint-Beuve, Carmen e outros contos, editora Ediouro, págs. 10 e 11

[5] Rónai, Paulo, Mérimée Contista, palavras de Valery Larbaud, Carmen e outros contos, editora Ediouro, pág. 15


quinta-feira, 23 de outubro de 2008


...Sinto-me um pouco intrusa vasculhando minha infância. Não quero perturbar aquela menina no seu ofício de sonhar. Não a quero sobressaltar quando se abre para o mundo que tão intensamente adivinha, nem interromper sua risada quando acha graça de algo que ninguém mais percebeu....


...afinal compreendo que não são as palavras que produzem o mundo, pois este nem ao menos cabe dentro delas. Assim, aquela menina dançando no pátio na chuva não cabia no seu protegido cotidiano: procurava sempre o susto que viria além.
Então enfiava-se atrás dos biombos da imaginação, colocava máscaras e espiava o belo e o intrigante, que levaria o resto de sua vida tentando descrever.

Lya Luft
Mar de Dentro

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Receitas afrodisíacas para esquentar a relação


Da Redação
Site Abril.com


A correria do dia-a-dia consegue esfriar qualquer relação. Não é difícil viver a cena de chegar em casa morto de cansaço e com a libido em baixa. Nessas horas, fica impossível até pensar em sexo.Mas, com um pouco de dedicação na cozinha, é possível levantar as energias com alguns pratos afrodisíacos. No livro "Afrodite, Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos", a escritora chilena Isabel Allende afirma que a comida tem muito potencial para gerar prazer. "Depois de um jantar erótico que, colherada a colherada, conduz os amantes através dos preâmbulos e jogos amorosos até o leito, deve haver um final feliz: a sobremesa", brinca.Confira abaixo algumas receitas de Isabel, do chef de cozinha do restaurante paulista Tantra, Cabral Filho, e do barmen Maurício Rodrigues de Lima:

Delícia de pêssego
Rende 2 porções
2 metades de pêssego em calda2 bolas de sorvete de limão2 cerejas ao marrasquino1 colher (sopa) de licor de marrasquino1 taça de champanhe rosé ou espumanteColoque cada metade de pêssego em uma taça que tenha boca larga. Sobre a fruta, adicione uma bola de sorvete, enfeite com as cerejas, coloque o licor de marrasquino, encha as taças com o champanhe e sirva imediatamente.

Carpaccio Tantra
Rende de 5 a 6 porções

50 g de filé mignon (ou contrafilé) cortado em fatias bem finas1 maço de rúcula5 ovos de codorna20 g de queijo parmesãoMolho6 colheres (sopa) de azeite6 colheres (sopa) de molho inglês1 colher (chá) de gengibre picado1 colher (chá) de pimenta vermelha picada1 colher (chá) de raiz de coentro picada1 colher (café) de mostarda em grão ou comumBata todos os ingredientes do molho no liquidificador. Guarde o conteúdo em um frasco. Monte o carpaccio da seguinte forma: coloque algumas fatias no centro de um prato raso. Espalhe o molho por cima da carne com a ajuda de uma colher. Ponha o queijo ralado por toda a borda do prato. Fatie a rúcula bem fininha e coloque no centro. Corte o ovo de codorna em quatro, como se fosse uma

Salmão picante
Rende 2 porções

250 g de filé ou posta de salmão2 conchas de caldo de peixe2 conchas de creme de leite fresco1 colher (café) de curry em póSuco de um limãoSal, pimenta e azeite a gostoCorte o salmão em dois pedaços iguais. Deixe-o marinando (descansando) em um molho com sal, pimenta e suco de limão por 15 minutos. Em uma frigideira com azeite, grelhe o peixe em fogo médio. Tome o cuidado de grelhar primeiro a parte que vai ficar virada para cima. Em seguida, acrescente o caldo de peixe e aumente um pouco o fogo. Deixe reduzir (engrossar o caldo) por 4 minutos. Adicione, em seguida, o creme de leite e o curry e deixe cozinhar por 2 a 3 minutos. Sirva acompanhado de arroz branco.

Manga Sensual
Rende 2 porções

1 manga madura1 colher (chá) de sementes de cardamomo2 colheres (sopa) de manteiga1 colher (chá) de pimenta rosa1 colher (chá) de cravo1 colher (chá) de canela em pó8 colheres (sopa) de açúcar200 ml de suco de laranja1 dose de conhaque2 bolas de sorvete de cremeCasca de uma laranja fatiada bem finaEm uma frigideira, derreta 1 colher (sopa) de manteiga, em fogo médio, e acrescente as cascas de laranja. Deixe refogar por 2 minutos. Acrescente o restante das especiarias (cravo, canela em pó, pimenta rosa e cardamomo) e deixe refogar por mais 2 minutos. Acrescente o açúcar e mexa até formar um caramelo. Coloque o suco de laranja, aumente o fogo e deixe reduzir por mais 2 minutos. Coe e reserve. Corte a manga ao meio, tire o caroço e fatie. Refogue as fatias na frigideira, com uma colher (sopa) de manteiga, por dois minutos. Em seguida, acrescente uma dose de conhaque e deixe flambar por 1 a 2 minutos. Coloque os pedaços de manga em um prato e jogue a calda ainda quente por cima. Ponha o sorvete e, se quiser, decore com folhinhas de hortelã.

Corpos Ardentes
Rende 2 porções

1 e 1/2 dose de licor de cacau1 dose de conhaqueBata tudo no liquidificador com três pedras de gelo. Sirva em um copo alto, com calda de chocolate na borda.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


Eu quero lutar com minha caneta. Eu lutaria através da força, com uma arma, mas assim teria de matar outras pessoas. Não quero fazer isso, mesmo que não sejam pessoas boas. Elas não precisam ser mortas, precisam aprender a tornarem-se humanas.

"
Marina, em "Mulheres de Cabul", de Harriet Logan. Cabul na foto.