domingo, 30 de março de 2008

Mudar ou não mudar?????

Não sei se isso é influência do meu signo de escorpião , se faz parte do meu próprio temperamento ou quem sabe seja algum antepassado ou vida cigana que trago em mim, mas o fato é que adoro mudanças, meu quarto nunca é o mesmo, pelo menos dois meses seguidos, sinto uma energia incrível quando mudo os móveis de lugar e acordo no dia seguinte com tudo parecendo tão novo e diferente, já cheguei uma vez inclusive, a convencer meu pai a mudar de quarto comigo. Já morei em três cidades diferentes, e a última mudança, foi com certeza por minha causa. O visual é outro ponto fraco, até meu corpo muda, já pulei dos 47 k para os 60 mais de uma vez, já fui ruiva, já tives mexas claras, cachos negros mas adoro mesmo um bom e vibrante vermelho intenso. Cabelos longos ou curtos, lisos ou enrolados, tudo me faz feliz um pouco, o bom mesmo é brincar, é explorar a sensualidade e isso é mais uma das vantagens de ser mulher, poder ousar, mudar, brincar, se conhecer e se ter cada vez mais. Uma vez ouvi uma observação da Ana Maria Braga que achei muito divertida, ela disse o seguinte: “ Para que meu homem não se sinta atraído algum dia por outra mulher, procuro a cada dia ser uma nova mulher, mas não sem perder a minha essência”

Talvez as feministas arranquem os cabelos ao ouvir uma coisa dessas, mas mulher pode tudo, e se é isso que deixa a Ana Maria feliz, o resto...bom o resto é outro papo, e no fundo acho que penso um pouco como ela, porque é totalmente diferente quando estamos livres, só precisamos agradar a nós mesmas, mas quando estamos amando e se relacionando a opinião do parceiro é com certa vital para o nosso bem estar.

Semana passada cheguei do trabalho cheia de disposição e mudei tudo no meu quarto de lugar, ficou muito gostoso, hoje, bem hoje mudei o visual, e to torcendo pro meu amor gostar, e bem, se ele não gostar, sempre posso mudar outra vez...mas o legal, é que to tão empolgada com a mudança que acho impossível que ele não fique feliz também...

sexta-feira, 28 de março de 2008

"Só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal. Assim, nada há de mais inepto em amor do que se adaptar um ao outro, de se polir um contra o outro, e todo esse sistema interminável de concessões mútuas... e, quanto mais os seres chegam ao extremo do refinamento, tanto mais é funesto de se enxertar um sobre o outro, em nome do amor, de se transformar um em parasita do outro, quando cada um deles deve se enraizar robustamente em um solo particular, a fim de se tornar todo um mundo para o outro." ( Lou Salomé )
aaaaaaaeeeeeeee chegou o fim de semana!!!!!!!!!

quinta-feira, 27 de março de 2008

"Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade." (Do livro "Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke)

Explanação

A falta de registro,
impede a comunicação?
Sinto, mas não posso,
ser da mesma opinião.
Lanço aqui o desafio,
pra uma breve explanação:
Para amar tem que se seguir regras?
Ter juízo?
E ter razão?

(Feiticeira da Montanha)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 24 de março de 2008

A Rua dos Cataventos

Escrevo diante da janela aberta. Minha caneta é cor das venezianas: Verde!... E que leves, lindas filigranas Desenha o sol na página deserta! Não sei que paisagista doidivanas Mistura os tons... acerta... desacerta... Sempre em busca de nova descoberta, Vai colorindo as horas quotidianas... Jogos da luz dançando na folhagem! Do que eu ia escrever até me esqueço... Pra que pensar? Também sou da paisagem... Vago, solúvel no ar, fico sonhando... E me transmuto... iriso-me... estremeço... Nos leves dedos que me vão pintando! A Rua dos Cataventos ( Mário Quintana)

quinta-feira, 20 de março de 2008

A Lucidez Perigosa


Clarice Lispector



Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
Além do que:que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.